Nessa última quarta-feira (07/08), o Cruzeiro perdeu a partida de ida das semifinais da Copa do Brasil para o Internacional, culminando o pedido de demissão do, até então, técnico mais longevo do futebol brasileiro, Mano Menezes. A péssima sequência de jogos enfrentada pelo time desde a final do campeonato mineiro, com uma única vitória nos últimos dezoito jogos e o maior jejum de gols da história do clube (são mais de 900 minutos sem marcar um golzinho), foram suficientes para que o atual bicampeão da copa do Brasil e do Mineiro caísse.
Contudo, essa não é a primeira vez que Mano fica ameaçado do cargo, na verdade, pode-se inferir que apesar dos títulos, a Era Mano foi rodeada de irregularidades. Mesmo estando hoje no hall dos maiores técnicos do Cruzeiro, devido às conquistas e ao tempo de trabalho, podemos relembrar que nesses 3 anos consecutivos de trabalho, em todos houve momentos nos quais o Mano esteve mal, escalou mal e quase caiu e, por isso, considero essa uma Era de amor e ódio pelo técnico gaúcho.
A começar por 2017, o técnico gozava do prestígio de nos ter salvado novamente de um rebaixamento (em 2016 já o havia feito, mas saíra logo em seguida para explorar o campeonato chinês), contudo após um início avassalador com goleadas, incluindo um 6 x 0 na copa do Brasil, o Cruzeiro foi eliminado de maneira precoce e vergonhosa na Sul-americana, para o fraco time do Nacional do Paraguai, e perdeu para o rival a final no campeonato mineiro. Ademais, teve um início irregular no campeonato brasileiro, em que misturava apresentações formidáveis, como o 3 x 3 contra o Grêmio, com atuações apáticas contra clubes mais fracos, tendo a defesa como elo fraco do time.
A situação ficou crítica após as partidas contra o Palmeiras ( Copa do Brasil) e Atlético-MG (Brasileiro), pois o time, em dois jogos seguidos sofreu 3 gols, mesmo após começar ganhando. Contudo, Mano solucionou os problemas do time e levou-nos ao Penta campeonato da Copa do Brasil e ao 6º lugar do brasileiro (que apesar de ser uma boa colocação, se tivesse demonstrado mais ambição, teria alcançado posições maiores).
Em 2018, a crise ocorreu em virtude do péssimo início na Libertadores, com o time correndo sérios riscos de sofrer uma inédita eliminação precoce na fase de grupos, com atuações novamente irregulares, tanto defensivamente, quanto ofensivamente. Mas a confiança sobre o treinador era grande, e Mano guiou o elenco em uma grande recuperação com 3 vitórias seguidas, sendo duas goleadas, incluindo um 7 x 1 sobre a La U e um 4 x 0 em São Januário no Vasco. Após o feito, demos foco na Libertadores e na Copa do Brasil, avançando bem em ambas competições e deixando o brasileiro de lado (com atuações pouco regulares e pouca utilização da base). No final, o saldo foi o bicampeonato seguido da CB, uma das libertadores mais roubadas, com o Cruzeiro e Grêmio tendo sido prejudicados pela dupla Boca-River (que acabaram por fazer a final) e um campeonato brasileiro mediano.
Por fim chegamos ao derradeiro ano de 2019, que ilidiu o torcedor cruzeirense com um ótimo início na Copa Libertadores e no Campeonato Mineiro. Mas, que a partir do final de abril, o time foi do céu para o inferno, visto que apesar da conquista do Estadual e a segunda melhor campanha da fase de grupos do torneio continental, as atuações do elenco principal começaram a decair: Fred começou a parar de fazer gols, Rodriguinho esqueceu como dar um passe (devido a problemas nas costas) e a defesa, que até então era o principal pilar, começou a sofrer gols.
Assim, o time teve um péssimo início de campeonato brasileiro e atuações terríveis na Copa do Brasil contra o Fluminense, com uma equipe visivelmente cansada e um padrão tático baseado em um "não quero tomar gols, o empate é ótimo", tendo jogos que as finalizações ao gol ficava no número mínimo. Entretanto, havia uma luz, a Copa América, o torneio entre as seleções sul-americanas ocorrido no Brasil significava uma pausa de 1 mês, que seria suficiente para corrigir os problemas do clube.
Mas, o que se viu após a pausa foi um time ainda mais sem padrão. Que não ataca, não chuta e parecia perdido em campo, sem táticas, jogadas ensaiadas, se sustentando em possíveis genialidades de seus grandes jogadores. Isso culminou com o time estando na zona de rebaixamento do Brasileiro, na eliminação da Libertadores e a derrota no primeiro jogo das semifinais da copa do Brasil, ambas em pleno Mineirão.
Com isso, a situação do técnico gaúcho ficou insustentável no time, o desgaste com a torcida era evidente, principalmente devido a má escalações e na insistência de jogadores que não apresentavam um bom futebol, casos de Egídio, Henrique, Ariel Cabral e a não utilização dos jogadores da base, que possuem certo destaque nas categorias inferiores, casos de Ederson, Maurício, Pópó e Weverton. Por fim, a evidente perda do elenco e o fato de não fazer o time jogar culminou na demissão do técnico.
Dessa forma, chegou-se o fim da Era Mano, um período muito vitorioso do Cruzeiro, com um bicampeonato inédito, mas que por vezes esteve ameaçado e em crise. Cabe ressaltar a grandeza de Mano Menezes por diversas vezes ter superado crises presentes no clube, se mantendo no cargo e conquistando títulos. Infelizmente, a crise atual é a maior delas, uma vez que o maior problema não é dentro de campo e sim fora. Visto que se trata da maior crise politico-administrativa do clube, rodeada de mistérios, falcatruas e muita corrupção e que apesar de ter sido blindada, afetou o elenco e a comissão técnica.
Assim, dizemos adeus ao ganhador e irritante de se ver, Manoball e damos boas vindas a Rogério Ceni.
Texto feito por Filipe Reis Dalmax
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