Mais um ano terminando e, como já é de praxe, o balanço, a retrospectiva, ou como queira chamar,vem aí.
O ano de 24 começa com pressão para que o aperto de 23 não se repita e que o Cruzeiro possa já a começar a brigar por coisas. Nicolás Larcamon é o nome escolhido pela diretoria para comandar o time. O técnico argentino estava no Leon que tinha acabado de ser campeão da CONCACAF chega em janeiro e junto com alguns reforços, como o Lucas Romero, que também estava no Leon, Lucas Villalba, Álvaro Barreal, José Cifuentes, Juan Dinenno, José Ivaldo.
O time demonstrava estar bem treinado, mas nada extraordinário. A derrota e eliminação para o Sousa, pela primeira fase da Copa do Brasil, no interior da Paraíba, com um joguinho xoxo, para não dizer apático, fez um estrago nas expectativas e esperanças para com aquele time. Depois tivemos clássicos com tempos muito distintos, uns lembrando o jogo com o Sousa e outros jogando muito bem. A perda do título do Mineiro, com certa vantagem e o Mineirão lotado acabou custando o cargo de Larcamon.
Estávamos, novamente, naquela situação de ter pouco tempo para o início do Brasileirão e não ter o comando técnico do time definido, assim como no ano anterior. Precisávamos de alguém que, de preferência, já conhecesse o elenco, para que não perdêssemos muito tempo com adaptações. Fernando Seabra, técnico do sub 20 que tinha saído no início do ano e que já havia trabalhado com esse elenco na reta final do ano anterior, foi a escolha.
A pressão na época estava grande, cartazes com ameaças eram vistos pela cidade e teve até bandeira com o Ronaldo sendo queimada. Ninguém queria ver um 2024 como foi 2023, ninguém mesmo, nem o Ronaldo. Um pouco depois da escolha do técnico, tivemos outro anúncio, Ronaldo vendeu a SAF para o Pedrinho BH.
Com o Pedrinho chegando, a diretoria que aqui estava foi saindo, diretoria e staff. Em paralelo, o time do Seabra fazia um turno surpreendente, não só por pontuações, mas tbm com algumas atuações. Pressão na saída de bola adversária, transições fluidas, saída apoiada e defesa segura. O desempenho era tamanho que em determinado momento brigar pelo título poderia ser deslumbrado, sem exageros nem nada.
Em maio chega o anúncio de Cássio, um pouco depois, com a abertura da janela, nomes e cifras altas também vieram com o Matheuzinho e Walace, Kaio Jorge também, Lautaro. Porém, o desempenho do time foi caindo.
A pressão alta na saída de bola, a nossa própria saída, a transição, nada encaixava mais. Curiosamente um áudio do Pedrinho falando que os reforços deveriam jogar a qualquer custo foi vazado também.
E por que nada encaixava mais ? Quais as explicações ? O áudio foi tamanho que se tornou o total responsável ? Deve ter sim sua parcela, mas também podemos adicionar alguns outros fatores, como os rendimentos abaixo do Lucas Silva e em determinados momentos ficando até fora do time; também víamos o time numa inhaca, numa aparente não vontade; e ainda, a entrada dos reforços vindos da Europa, que em determinados momentos mostravam que nem um pouco perto de estarem prontos para entrarem numa temporada já no meio e com o time naquela situação.
E assim foi, não, indo. Cruzeiro passa do Boca nos pênaltis pelas oitavas da Sulamericana. Simultâneo e contraditório, vai vendo a situação no Brasileirão se complicar, abrindo mão de briga de título e logo de vaga direta na Libertadores.
Até que chega o jogo de ido contra o Libertad, pelas semis. Jogo que mudamos um pouco a forma de jogar e vencemos com um 2 a 0 confortável. Estar nas semis da Sulamericana era uma certeza depois desse jogo. Aí poupamos fora contra o Cuiabá, empatamos e Seabra é sacado. Justo quando o time mostrou algum respiro. E, não satisfeitos em interromper o bom, arranhado, mas bom, trabalho que tínhamos até então, anunciam Fernando Diniz como novo técnico.
Diniz é um técnico com estilo de jogo bem diferente de qualquer outro, e largar o seguro que tínhamos para o duvidoso num final de temporada é uma mudança arriscada de se fazer, poderia ser de fato jogar o ano fora. Comentário a parte, seguiu o ano. Time não engrenava, mas conseguimos ao menos passar do Lanús, no sufoco e no limite, mas passamos.
Chegávamos a uma final de competição continental depois de 15 anos. Poderia ser alí o alento do ano, que foi se esvaindo das nossas próprias mãos, e também o fim desse capítulo de reconstrução do clube pós 2019, poderia ser de fato o "voltei " que todos queremos ver.
Bom, poderia, né ? Mas não foi o que aconteceu. Após a classificação, notícias de contratações grandiosas já para 2025 foram surgindo na mídia, não se falavam mais do ano no Brasileirão indo embora, que de 4° fomos pra 6° e, depois das adições de duas vaga para a Libertadores, conseguimos cair para 8°. Não se falava tanto que o time tinha que estar pronto e ir com unhas e dentes nesse jogo único e em campo neutro, era como se já tivesse acabado e estivéssemos em dezembro.
Chegou o dia e outra nada boa atuação da equipe, com momentos flertando com a apatia, mesmo todo mundo alí sabendo o que significava. E assim perdemos a final da Sulamericana e a classificação para qualquer fase da Libertadores, que ainda tinha alguma chance, também acabou indo pouco tempo depois.
O campeonato brasileiro acaba, mas especulações de mercado que já haviam surgido antes mesmo da final continuavam. Situações animadoras, com contratações grandiosas para esse próximo ano, das que tem muito, muito tempo mesmo que não víamos aparecendo constantemente na imprensa.
2025 nem começou direito e já vem prometendo muito, prometendo a volta de ser protagonista no cenário nacional, de brigar por todos os títulos, prometendo um dos melhores times do país, prometendo a volta de fato de La Bestia Negra que o mundo inteiro teme.
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